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Silêncios

Poesia

Silêncios

Poesia

28.09.20

O Amor na boca

Silêncios

 

 

Meperdidemim

 

Hoje...
Acordei com o Amor, na boca.
Saía-me pelo canto dos lábios.
Escorria-me veloz, nas veias.
Vinha do âmago, do peito.
Pulsava-me por todo o corpo.

 

Hoje...
O Amor vertia-se-me pelas pernas.
Admirava-se na pele, em suor.
Gotejava do meu umbigo.
Da testa, dos seios, do sexo.
Porque fomos, só Amor.

 

 

27.09.20

Simplesmente

Silêncios

 

Oceano Mar Água - Foto gratuita no Pixabay

 

 

Há uma janela aberta.
Mostrando um céu infinito.
Simplesmente, só em vidro.
Sem cortinas, para a enfeitar.

 

Talvez não seja o céu, mas o mar.
Que aquela janela mostra.
Sem paredes, tecto ou chão...
Está  simplesmente ali posta.

 

Por aquela janela aberta.
Não sei se o ar, sai ou entra.
Se alguém me olha, de lá.
Não importam pormenores. Simplesmente, que ali está.

 

Há uma janela aberta.
Por onde o mundo me espreita.
Quando me sento a escrever.
Talvez sejam o céu, ou o mar...

 

Mas também alguém a olhar...
Simplesmente a imaginar.
Do que poderíamos falar.
Sem de todo, se deixar ver.

 

 

27.09.20

PEQUENA E POBRE

Silêncios

 

folha.jpg

 

 

Não tenho nada p'ra dar-te.
Nasci pequena, descalça e nua.
Pobre, de riquezas terrenas.
Nasci...
Com um dom apenas.
O de alinhavar poemas.
Dedicar-tos...
Porque sou tua.
 
 
Ainda que me não queiras.
O que escrevo não te cative.
Serás o meu tecto e o meu chão.
A riqueza... que jamais tive.
 
 
Tatuada num coração.
Pequeno, mas dedicado.
E se amar-te, foi um pecado.
Perdoa-me... não me contive.
 
 
Há sentimentos que não queremos.
Sentir alguma vez na vida.
Mas amar...
Não o escolhemos.
E creio que também, já nascemos.
Apesar de o não pedirmos.
Com a sorte,
decidida.
 
 
Não tenho nada p'ra dar-te.
Mas não me proíbas de amar-te.
Ser pobre, não me entristece.
Ser pequena, mal não parece...
 
 
Mas negar uma afeição...
Que foi tecida no céu.
É a maior provação.
Que me podem dar na vida.
 
 
 
 
25.09.20

Sonhar-te...

Silêncios

 

 

O poder do nu - GQ | Musa

 

Sonhar-te.
De que vale?
Ter dedos e não, te tocar.
Olhos e não te enxergar.
Lábios e não te beijar...
Servindo-me só para evocar-te.
Sem nenhuma entidade ouvir.

 

Diz-me...
Para quê sonhar-te?
Viver uma vida a ansiar.
O que não se pode alcançar.
Ter braços...
Com que fim?
Se não forem para abraçar-te.

 

Isto não é vida.
Nem sonho.
É um martírio medonho.
Dar conta de tudo o que tenho...
E que podia ser teu.
Sonhar-te... é como arder no inferno.
Podendo ganhar o céu!

 

 

 

 

24.09.20

Se não tens medo da resposta... pergunta.

Silêncios

 

 

Laurence on Twitter: "Tôt, le café, Christian Coigny… "

 

 

Este amor todo que me deixaste nas mãos.
Este desejo vampírico. Esta sede...
Estes pensamentos impróprios.
Verdadeiramente vergonhosos.
Esta descompustura, total.
Este urgir.
Levo-tos.
Ou, vens buscar?

 

 

24.09.20

Magia

Silêncios

 

A magia dos livros – Artrianon

 

Eu quero viver no fundo dos mares.
Nos pináculos mais altos das montanhas geladas.
Pulsar entre as estrelas, no céu infinito. 
Ser neve.
Ser chuva.
Vento que assobia.
A folhagem que dança.

Eu quero viver no tronco das árvores.
Descer em vertigem, até ao centro da Terra.
Descobrir outros povos e leitos de rios.
Ser sol e ser lua.
Aonde não existam.
Ser um dedo que estala.
Acordar lentamente e... voltar a ser Eu.

 

 

24.09.20

Espertina

Silêncios

 

 

Stephanie Sarley Makes Fruit Fun Again With Her Provocative Instagram

 

Esta noite não dormi.
Puxei da caneta e escrevi.
Algo destinado a ti.
Que não pretendo enviar.
Apesar de seres a Musa...
Responsável p'la minha insónia.
Nesta noite sem luar.

 

Irrita-me perturbares-me o descanso.
Entrares-me desse jeito manso.
Primeiro no pensamento. 
Depois, minha cama adentro.
Como se também fosse tua.
Não chega possuíres uma alma cansada.
Tens de desquietar-me a carne... p'ra dormir, já preparada.


Esta noite não dormi.
Enviei beijos para ti.
No fim de uma carta fechada.
Que guardei, com outro beijo.
Num reprimido desejo...
Entre murmúrios, expresso. 
Sob a almofada, molhada.

 

Não confessei que te amo.
Nem quantas saudades já tenho.
De uma palavra tua.
Não contei o que fiz depois.
A pensar em nós,
os dois.
Nesta noite, sem ter lua.

 

 

23.09.20

Maldição

Silêncios

 

Deus habita com o contrito e abatido de espírito -03/05/19 by Palavra Amiga  on SoundCloud - Hear the world's sounds

Words can help. Words can heal...
They can also hurt, and can also kill. 

(Tim Walters)

 

 

E... sempre  que escrevo, disparo.
Sempre que penso, alvejo.
Sempre que sinto, firo.
Sempre que toco, mato.

 

Sempre que escrevo, dilacero.
Sempre que encanto, toco.
E, porque tocar, não quero...
Matar, sempre que disparo.

 

Maldição!
Como fazê-lo?
Escrever sem causar ferimento.
Alvejar com o pensamento. Matar, porque ouso escrevê-lo.

 

 

 

23.09.20

Naufrafos

Silêncios

 

 

Curso Céu da Boca para Homens - Janaina de Sá - learn a new skill - Online  Courses and Subscription Services | Hotmart

 

 

Sobre a minha boca um beijo.
No meu seio, a mão fechada.
Dentro de mim estás todo, tu...
Progredindo e recuando.
Num ímpeto arrebatado.
Como no mar, uma vaga.

 

Penso em como resistir?
Ser rocha contra Poseidon.
Juro, quero dar-te prazer.
Escorrer-te pelos dedos...
Encher-te a boca de amor.
Sem de todo derreter.

 

E ao desaguarmos nesta cama...
Deixá-la toda encharcada.

 

Sobre o teu corpo, o meu.
E uma louca cavalgada.
Mãos que rasgam, sem ferir.
A urgência de me teres.
Afundado no meu vente.
Como na Terra uma enxada.

 

Não pensas porque és, sentidos.
Também urgência e gemidos.
Inconsequência de acção.
Descontrolados como náufragos.
Procuramos piso firme.
Como um barco no mar alto, busca no céu, salvação.

 

 

23.09.20

Um Céu virado do avesso

Silêncios

 

preto.jpg

 

 

Eu sou as folhas, o vento...
Os primeiros pingos de chuva.
O céu pintado a cinzento.
Que traz os arrepios a pele.
E a última neblina do dia. 

 

Sou a montanha ofuscada.
Que não deixa de estar lá.
As estrelas que se esconderam.
Porque as nuvens se encapelaram.
Mesmo, sem começar a chover.

 

Sou fonte, a jorrar sobre mim.
E a pedra que me apara.
Um grão de trigo e a seara.
O espantalho solitário...que caminha p'la vida,
com calçado um número acima e as roupas emprestadas.

 

Sou a romã, aberta ao meio.
Junto a nozes, também partidas.
Um olhar sempre castanho,
entre ramos que se despem,
das roupagens de Verão.

 

Sou a ave no fim do bando.
Que não sabemos...
Se tenta chegar-se à frente.
Ou... segue na cauda indiferente,
aos líderes costumeiros da vida.

 

Sou o que for não importa.
E serei sempre o não suposto.
Caminho da frente p'ra, trás.
Sobre chão que subjaz,
um céu virado do avesso.

 

 

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