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Silêncios

Poesia

Silêncios

Poesia

30.11.20

Ser, só.

Silêncios

 

 

Pin em Outros

 

 

Ser só...
Que contentamento!
Correr livre como o vento.
Abraçar sem receio a loucura.
Deambular noite escura...
Numa folha toda em  branco. 

 

Ser só...
Preciosa condição!
Não é complexo, maldição.
Mas sentir o sangue a irrigar...
O corpo todo, a vibrar.
Como a água, inunda um campo.

 

 

30.11.20

Sê forte!

Silêncios

 

Como ajudar nossas crianças a lidarem com os medos?

 

Tenho medo!
Podes dar-me a mão?
Tornei-me de repente, uma criança indefesa.
A precisar de colo e de orientação.

 

Tenho medo de sair.
Comer.
Falar.
Tenho medo... de respirar!

 

Não estou louca.
Ainda, não!
Decidi-me a não ficar.
Escudar-me-ei contra o medo. E não poderei vacilar!

 

Quem me diz quando é seguro.
Demolirmos este muro.
Voltarmos a confiar? Tenho medo. Tanto medo...
Podes a minha mão, segurar?

 

 

29.11.20

Quem é esta, a que chamam, eu?

Silêncios

 

 

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Onde pára o que procuro?
Quem é esta, a que chamam, eu?
Nada do que tenho, possuo.
Tudo o que sonho,
se aborta.
Quem me diz o que faço aqui?
Quem me lembrará, após morta?

 

Quantos me amaram na vida?
Sem se terem posto a caminho.
Por ter chegado aquela hora em que nada do que somos,
pode evitar esse adeus.
A quantos posso chamar, sem os querer sufocar,
conservando-lhes a vontade e a sua liberdade,
efectivamente... Meus!

 

 

Quem escreve com as minhas mãos?
O que bate no meu peito?
Quem alivia esta alma, do fardo que é ser assim?
Podendo caminhar a direito...
Ziguezagueia, p'los trilhos.
Sem nunca lhes ver o fim.

 

Em que manual venho impressa?
Onde estão as instruções?
Para montar peça por peça, com tino dos pés à cabeça.
O projecto que sou, Eu.
Quem pode unir os estilhaços, de alguém que mal veio ao mundo...
Irremediavelmente, partiu?

 

 

28.11.20

Toma. Pega nele e deixa-me.

Silêncios

 

 

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Dou-te o ódio.
Não o quero!
Dou-te a estupidez inteira...
A perda de tempo, que é alimentá-lo ao peito.
Pesá-lo...
Para conferir que aumentou.

 

Prefiro ser estéril.
Não gerar nada.
Escolho ser livre!
Mil vezes os caminhos da escrita... até que me não restem mais dedos.
A errância por montes e vales até ao fim dos meus dias.
Do que essa prisão para a Vida!



Deponho-te o ódio nas mãos.
Findou!
Quebrei os grilhões.
Envio-te os elos. Podes guardá-los.
Desisto de alimentar, de recordar e fazer perdurar... 
O que me magoou.

 

 

25.11.20

Por cada Mulher que Morre

Silêncios

 

 

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Que maior abominação.
Pode ser a de amar.
Quem se carregou no ventre.
Que mais tarde se transforma...
Em quem friamente calcula a forma, de te assassinar?
 
 
Por cada Mulher que morre.
Cem, se hão levantar!
Contra quem desfere o golpe.
E uma justiça assaz torpe...
Que liberta esses covardes, mesmo depois matar.
 
 
Uma sociedade que falha.
Na defesa dos seus alicerces
Como é toda a Mulher.
É digna de vergonha e nojo!
Não ser chamada de todo, uma Sociedade sequer.
 
 
 
25.11.20

Braçados de Flores

Silêncios

 

Pin on Summertime Magic

 

Entre lilases e verdes.
Trazes-me outras cores às vezes.
Para as quais fico a olhar.
Tentando delas gostar…
Sem saber o que pretendes.

 

Se é um gesto de amor.
Ou só p’ra contrariar.
O que queres é cativar-me.
Ou…
Gostas de ouvir-me falar.

 

Porque Rosas não aprecio.
Amarelo lembra-o o Estio:
E o sol sempre a brilhar.
Azul, ainda tolero.
Mas... decididamente não quero. Vermelho para trajar.

 

Há alguns tons de castanho.
Que me lembram o Outono.
Os cinzas, o nevoeiro que o Inverno traz consigo.
Gomos de laranja nos dedos, deixam no ar o perfume,
de quem os come, com prazer...

 

Entre braçados de flores.
Usufruis dos meus favores.
Semeando, p'ra colher depois.
Em cama forrada de pétalas.
O teu néctar é a entrada... para  florirmos os dois.

 

 

24.11.20

Pó de Ouro

Silêncios

 

Pin em Luzes de Natal

 


Beijada por uma chuva miúda.
Parece que a minha janela chora, não sei porquê.
Iluminada, faz inveja as estrelas.
Dá gosto vê-la.

 

Salpicada por gotas minúsculas douradas...
Pelas luzes reveladas, 
lembra pó de ouro espalhado, por todo o vidro molhado.
Que lindo quadro...

Talvez os estalidos da chuva na vidraça.
Sejam um pedido de abrigo.
Como quem grita... ó da casa!
Queremos passar a noite contigo.

 

A luz fenece... reaparece...
Já não chove, foi-se o choro.
Mas as gotas lá deixadas, p'las luzes reveladas...
Continuam a brilhar como pó, de fino ouro.

 

 

23.11.20

Nunca me concluo, recomeço

Silêncios

 

 

Pé Praia Areia - Foto gratuita no Pixabay

 

Só o céu compreende.
Quando de olhos fixos na areia, deambulo pelas ondas.
Se tornam em espuma as minhas mágoas todas.
Aqui, sou eu e o nada. 

 

Um bando de gaivotas, ao fundo paradas.
O vento a impelir-me. 
A sombra a esculpir-me,
alongada.

 

Hão-de existir, outros.
Mais olhos, pernas e sensações.
Que não vejo.
Alheada.

 

Só o céu compreende.
Que os passos que dou... para trás, são avanço.
Que nunca me concluo.
Recomeço!

 

 

19.11.20

Unha com Carne

Silêncios

 

 

Inner she wolf | Me quotes, My love, Wolf

 

 

Às vezes...
As palavras adquirem-me um rugosidade de disco arranhado,  por uma algulha perra.
Tato as espartilho. Compartimento. Limo, aliso.
Para que me saiam civilizadas e dóceis.
Alinhadas.
Bem comportadas.



É compreensível a contrariedade do cativeiro.
A euforia quando se libertam.
O caos em que se transformam.
A descompostura...
Essa sede de voarem.


Às vezes...
Já não sou dona das palavras.
Não consigo apascentá-las.
É o extravio geral.
Naturalmente, têm de cumprir-se. Fluir.

 

Há dias em que não reconheço aquelas palavras como minhas.
Ficam órfãs. Entregues a si, no mundo.
Dias de embraço completo. Dias... em que se sinto um desastre de mãe.
Incapaz de educar as minhas palavras.
De as manter no redil, ordeiramente agrupadas.

 

Às vezes...
Não me revejo nelas.
Nem elas em mim.
Não nos pertencemos, de todo!
Mesmo continuando, unha com carne.

 

 

 

18.11.20

Abençoados os Loucos

Silêncios

 

 

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Alguns olham-me de alto a baixo.
Com os seus olhares de desdém.
Gracejam sobre o que faço.
Pensam que não entendo o motejo.
Pr'a eles... sou um percevejo.
Ainda assim interessante.
Ou não seria constante,
a sua curiosidade inabalável.

 

Ora... eu sou intragável!
Digo-vos p'ra vosso sossego.
Não precisam de ter-me asco.
Tampouco de sentirem medo.
O pior que posso fazer-vos...
É tratar-vos o preconceito.
Dar-vos um chá para os nervos.
Um broche... p'ra pôr ao peito. 

 



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