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Silêncios

Talvez poesia. Um sondar d'alma e pouco mais.

Silêncios

Coração Outonal

03.11.25, Maria Ribeiro
  Imagem: by syda_productions on Freepik   Dá-me um molho de folhas secas. Apanhadas por ti à mão. Deixa ficar as prendidas, gozar o resto das vidas e oferece-me as que estão no chão.   Dá-me um cesto de pinhas. Ou simplesmente um punhado. Com fruto ou vazias por dentro, perfumadas das resinas, que escorrem para o prado. Dá-me ramos e bolotas. Castanhas mesmo com o ouriço. Que mesmo com luvas rôtas. De lã, com dedos à mostra. Ficarei grata por isso. Dá-me se o (...)

Tinta e Sangue

29.10.25, Maria Ribeiro
  Imagem: Direitos de autor: Flynt | Dreamstime.com   Nada almejo. Caminho sob a chuva fininha e miúda. Inalo os perfumes outonais das madrugadas e ocasos. Olho o cume da serra envergonhado a sobressair da bruma cerrada.  Compreendo que nada é meu e tudo passa a correr. Um café na mão a escaldar. Um chá, quiçá...   Nada almejo. Deixo aos relógios o pouso sobre a mesa de cabeceira. Aos dedos a simplicidade nua da carne sem adorno. Legitimo a incorruptibilidade do papel mesmo (...)

Torrente

29.10.25, Maria Ribeiro
    Imagem: 123RF, oshepkov   Chuva? Também pode ser. O pinga, pinga que desce do peito de uma mulher. À lágrima corrente p'la fronte. Os braços, o horizonte. Boca e falo consolo, do Homem que ela quer.    

Sempre Eterno

14.10.25, Maria Ribeiro
  Imagem: Wikipédia, Sempre-Vivas   Naqueles dias... Em que éramos ingénuos. O amor embatia em nós, como ondas de sete metros.  Mas pés fincados na areia, enterrados até aos joelhos, Não temíamos morrer que fosse.   Naqueles dias... Em que amar era novo, puro, ardente, louco. Ébrios, cegos, moucos. Todos acreditámos erroneamente, num para Sempre!  

Onde chover ou nevar

09.10.25, Maria Ribeiro
Quando a neve cair, onde a houver Que eu não  veja, tão longe estou. Há-de ainda assim ter marcas minhas, Quer nos passeios e estradas, Parapeitos de janelas carregadas, Onde marcas de patas, também deixadas, Pelas pequenas aves endiabradas, Constrastarao... Com todas as quis deixar no chão, Só imaginadas, Na minha alma. Tão carente dela, como o coração.    Onde chover ou nevar. O vento pele enregelar... Estou eu! Por mais longe que possa estar.        

Madrugadas de Outono

02.10.25, Maria Ribeiro
  Imagem: tensor.art/images, AI-studio    Há nas madrugadas de Outono a calma, Que falta às suas irmãs de Verão. A brisa que sem ser gélida, Cúmplice da fúlgida Lua, Desaltera a pressa interna, Ritma-nos a respiração.   Há nas madrugadas de Outono, Uma dormência melancólica, Aquela indolência harmónica, Que no Verão nos aprisiona, Numa confortável cama de lona. Enquanto as ondas rebentam.    

Ser do meu Ser

22.09.25, Maria Ribeiro
  Imagem: Tua Saúde   Doce e querida! Pequeno, enorme, Amor da minha vida.   Ser do meu ser. Ar do meu peito. Amor, mais amor, que o amor-perfeito!   Suave, bondosa. Esforçada, zelosa. Linda! Mais bela que a mais linda rosa.   Que sem nada pedir, comigo partilha. A sua grandeza interior. E o incomparável amor entre mãe e uma filha! Doce e querida! Neste dia e perpetuamente. Que sejas feliz, saudável. E tenhas sempre o melhor que há na vida!    

Urbe

18.09.25, Maria Ribeiro
  Imagem: Vive Europe.com     Para onde vão os dias ultimamente? Seguem os meses que se sucedem vertiginosamente. Às horas já nem me preocupa para onde vão. À medida que se perde a força e nos falta chão.   Onde páram as nuvens carregadas e as neblinas? A calma que passeava nas ruas e dobrava esquinas, antigamente. De onde vem esta confusão e os mares de gente? O ar com que olha e age, inconsequente. Sobram-me as paredes e os muros erguidos na frente. A cidade é hoje (...)

E se chover, tanto melhor!

10.09.25, Maria Ribeiro
        Imagem: Freepik   Deito-me sempre. Na esperança de abrir os olhos. Desejando que ao abri-los... Seja-me dado o ensejo de assistir ao entardecer. Noite profunda despeço-me sempre das estrelas ao cerrar da persiana, quando as há, ou se escondem, na esperança crónica com que me deitei.

Este quase Outono

08.09.25, Maria Ribeiro
  Imagem: BoaVontade.com Meio verde, dourado, tinto. Este Outono que cheira a Verão. Pode não parecer instalado. Caminhando atarantado, por chuva também faminto. Mas as manhãs frescas e nubladas. Suavizam as peles suadas, após noites de queimor. Umas só afogueadas, sobre os lençóis estiradas. Outras agora apaziguadas, passada a febre do amor. Este Outono pintalgado. De verdes secos e ocres, com laivos de encarnado. Continua a ser Outono, possa parecer disfarçado. Sabe a (...)