Fiar lágrimas com dor fina

Imagem: Revista Pazes
Bate-me uma Saudade profunda.
Do tempo em que o sofrimento.
Enchia de barafunda, uma vida sossegada.
Assaz feliz e dotada de um certo discernimento.
Quem pode sentir a falta de pernoitar acordada?
Contar as árvores da rua mais as pedras da calçada.
Buscar o que não lhe faz falta.
Fiar lágrimas com a dor fina.
Maldizer horas, distância.
Com um constante nó na garganta.
Carregar abnegadamente um pobre coração partido.
E vê-lo como sina sua, não um evitável castigo.
Quem pode acarinhar o suplício?
E usar mais o cilício.
Com a carne esfacelada, tingir a parede caiada.
Destruída e alheada do mal que a si mesma causa.
Só um masoquismo sem fim.
Pode ir buscar ao passado o que deve ficar enterrado.
E esquecido para sempre.
Exuma a Saudade sem tino. Mortifica eternamente