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Silêncios

Talvez poesia, talvez nada. Um sondar d'alma e pouco mais

Silêncios

Talvez poesia, talvez nada. Um sondar d'alma e pouco mais

Ter | 30.11.21

No Intervalo, fica outra vida adiada

Maria

 

 

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Se um dia eu vier ao mundo, esse útero há-de ser o teu.
Esta que sou, só o serei por ti.
Nada do que consiga,
foi possível...
Se não mo fizesses conseguir.
Se eu vingar como pessoa.
Foi porque passaste noites e dias a ensinar-me.
A servir-me de rede, mesmo correndo o perigo de esborrachares-te no chão.

Se um dia eu tiver um nome...
Foi graças a ti.
Porque o escolheste,
entre um sem número de opções.
Desejaste veementemente ter-me em ti.
Sorrias e afagavas-me, enquanto a tua barriga crescia.
Fizeste planos para nós...
Muito antes de me conheceres.

Se um dia me deixares...
Sei que foi contra vontade. Porque não havia outra saída.  
Por ti... ficarias sempre ao meu lado.
Lutando contra tudo e todos. 
Continuando a fazer-me os pratos preferidos.
Sobremesas magníficas.
Avisando, contudo, que devia caminhar. 
Cuidar-me mais. 

Se diariamente te reverenciar...
Será pouco!
Porque o que custa?
Não é o lugar vazio!
A saudade ingerida dia, após dia, às refeições!
Mordida à noite entre lágrimas, sob os lençóis.
O que nos corrói, é o intraduzível!
Tudo que fica por dizer e fazer, no intervalo.



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