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Silêncios

Talvez poesia, talvez nada. Um sondar d'alma e pouco mais

Silêncios

Talvez poesia, talvez nada. Um sondar d'alma e pouco mais

Sex | 17.12.21

Ciclo de Poesias até à Consoada I - Um Anjo

Maria

 

 

dreamies.de (zho2uls8yo5.jpg)

 

 

Na rua atarefados, distraídos, carregados.
Desfilavam mãos e sacos,
premindo o tacão dos sapatos,
no asfalto ou na calçada.

Num degrau próximo, sentada.
Uma criança encolhida.
Cujos olhos reflectiam o brilho das luzes festivas.
Vendia flores de papel, com amor, por si tecidas.

Ninguém reparava nela.
De telemóvel na orelha, ou no seu par concentrado.
Um, sem olhar para aonde ia, deu-lhe um piparote na cesta.
Deixando tudo espalhado.

Olhou para trás a rir e seguiu o seu caminho.
Enquanto a pequena tentava, salvar o que não foi pisado.
Três ou quatro que safasse, permitir-lhe-iam ficar...
E com sorte conseguir um comprador, interessado.

A rua foi-se esvaziando e a miúda ali sentada.
Se nenhuma flor vendida, numa noite rigorosa em p'ra comer nada tinha...
Aninhou-se no degrau,
no seu xaile aconchegada.

Ao longe soavam cânticos.
Explodiam chispas no ar das lareiras, entretanto acesas.
O ar encheu-se de cheiros dos doces da consoada.
A pequena suspirou, no seu cantinho, deitada.

Fechou os olhos e sonhou...
Com uma árvore luzidia.
Presentes ao seu redor.
Famílias reunidas à mesa, numa atmosfera de amor.

 

Acordou faminta e gelada, sem a sua cesta ao lado.
Com alguém na sua frente, olhando-a acocorado.
Alguém que a levou consigo, de mãos dadas pela rua
Seguindo o trilho das estrelas, passando pr'a lá da Lua...

 

Inspirado em "A ÁRVORE DE NATAL NA CASA DE CRISTO"

 

 

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